Jeremias 18.1-8
Introdução
De
tempo em tempo é muito oportuno considerar este texto da Bíblia.
Aqui
fala de como um acontecimento do dia-a-dia e aparentemente muito comum pode se
tornar num meio da revelação divina.
Na
olaria, onde o oleiro faz e refaz os seus vasos, Jeremias aprendeu lições
preciosas... ele era um profeta de Deus, recebia revelação direta de Deus, mas
se conservava aberto para aprender de outras formas, outros métodos, outros
meios...
Infeliz
é a pessoa que acha que sabe tudo e que não precisa aprender mais nada.
Tal
pessoa perde a oportunidade de enriquecer a sua experiência de vida com a dos
outros.
Mas,
Jeremias não era assim... mesmo sendo profeta de Deus, ele possuía a humildade
do aluno que deseja aprender.
E
o Senhor viu isso nele e deu uma ordem para que Jeremias fizesse uma visita
à “casa do oleiro”.
Deus
falou pra Jeremias: “Desça até a
casa onde fazem potes de barro, e lá eu lhe darei a minha mensagem”.
Irmãos,
obediente, Jeremias foi fazer a visita ao oleiro. E vendo a habilidade desse
artista no trato com a argila, no manuseio do barro, Jeremias aprendeu algumas
coisas, como por exemplo:
1- A Fragilidade da Nossa Consistência
Alguns
anos antes de Jeremias, um outro profeta já havia escrito, lemos em Is
64.8:
“Mas tu, ó Senhor Deus, és o nosso Pai; nós somos o barro, tu és o oleiro, todos nós fomos feitos por ti”.
“Mas tu, ó Senhor Deus, és o nosso Pai; nós somos o barro, tu és o oleiro, todos nós fomos feitos por ti”.
Eliú,
que era um dos amigos mais jovens de Jó, disse pra ele (Jó 33.6): “Para Deus você e eu somos iguais; eu também
fui formado do barro”.
Eis
o que realmente somos: barro.
E
você sabe que, economicamente, o barro não tem grande valor.
As
nações brigam por petróleo, brigam por ouro, brigam por diamantes... mas não
brigam por barro.
Infelizmente,
nos esquecemos, muitas vezes, que somos barro... Deus fez o homem do pó da
terra, lemos em Gn 2.7: “...do pó
da terra, o SENHOR formou o ser humano”.
Mas
alguns parece pensarem que são de porcelana!
Na
casa do oleiro, Jeremias viu que o vaso de barro pode quebrar-se (v. 4).
Jeremias
mesmo, mais tarde, havia comprado uma botija de barro que quebrou
(19.10)... quebrou na frente de algumas pessoas que estavam com ele...
vasos de barro estão sujeitos a partir, a quebrar...
O
Salmo 2.9, falando da vitória de Cristo, o Senhor, diz que Ele despedaçará as
nações como a um vaso de oleiro – “...as
fará em pedaços como se fossem potes de barro”.
Ainda
na oficina do oleiro, ali na fábrica de potes de barro, Jeremias viu que esse
artista podia fazer o que quisesse com o barro porque ele não se iria se opor,
não iria fazer objeção, nenhuma resistência!
Por
que o barro é flexível, é maleável... o barro não faz resistência às mãos que o
modelam.
Amados,
é assim que Deus nos quer!
Deus
nos quer maleáveis... nos quer obedientes à sua Palavra.
Sendo
feitos de barro, como somos, Deus espera que nós nos moldemos à Sua vontade.
E
isto, do mesmo modo como o barro nas mãos do oleiro: sem objeções,
sem reclamações, sem protestos, nem orgulho.
Você
tem sido maleável, ou está fazendo corpo duro? ...Deus quer tratar você, dar
uma forma na sua vida, e você diz: “Não,
desse jeito não, Senhor!”
Bem,
pelo que já sabemos do barro e do oleiro, podemos concluir que quem faz o barro
se tornar importante é exatamente o oleiro.
Por
que, como o pote seria um pote se não fosse o oleiro? ...sem as mãos do oleiro,
a argila não se torna em cerâmica... sem a habilidade do oleiro, o barro não se
torna vaso... sem o talento do oleiro, o barro não se torna em nada útil ou de
valor.
Portanto,
é o oleiro quem tira o barro da mediocridade.
Foi
o talento de Miguel Angelo que fez do mármore uma obra de arte tão famosa
quanto é a estátua de Moisés. O gênio de Antônio Francisco Lisboa, o
Aleijadinho, transformou a pedra-sabão em esculturas internacionalmente
famosas, como são os seus “profetas”.
Sabe,
se somos alguma coisa neste mundo, toda a glória é de Deus.
...e
uma outra coisa que Jeremias aprendeu foi sobre:
2- A Soberania de Deus
Jeremias
viu na casa do oleiro a soberania de Deus, porque lemos no v.4 o
seguinte: “Quando o pote que o
oleiro estava fazendo não ficava bom, ele pegava o barro e fazia outro,
conforme queria”. A versão mais antiga do texto diz “conforme pareceu bem aos seus olhos fazer”.
Sim,
o vaso e o oleiro aqui, são uma ilustração clássica da soberania de Deus.
Assim
como o oleiro é livre para fazer com o barro o que bem desejar, assim também é
o Senhor nosso Deus – Ele é livre, totalmente livre, para fazer de nós o que
parecer bem aos Seus olhos fazer.
E
o oleiro não tem que dar explicações ao barro sobre a razão de estar agindo
desta ou daquela maneira.
Se
você prepara um bolo, esse bolo não irá dizer pra você: “Hei, por que você me fez assim tão pequeno
e com tão pouco recheio?” ...o bolo também não irá dizer: “Hummm, por que me deu essa cobertura de
côco... eu queria cobertura de chocolate como tantos outros!”
Mas
veja isso no v.4: “Quando o pote
que o oleiro estava fazendo não ficava bom, ele pegava o barro e fazia outro,
conforme queria”.
Jeremias
viu que o oleiro não joga fora o vaso estragado. E é assim também que Deus age
conosco.
Deus
é muito hábil, muito capaz – Ele é, em todas as coisas, poderoso! ...e como
tal, quando nossa vida se parte, quando nosso coração se quebra em pedaços e
ficamos perdidos, achando que não há recuperação, Ele é o Deus do recomeço... o
nosso Deus é o Deus do reinício, o Deus da segunda chance, o Deus da nova
oportunidade... o Deus da reconstrução!
Para
o poderoso Deus, amados, não há vasos irrecuperáveis.
Ao
profeta Jeremias, Deus estava mostrando que, apesar de Israel, o Seu povo, ser
um povo de dura cerviz, isto é, um povo de “cabeça dura”, Deus mostrou a
Jeremias que Ele ainda oferece ao Seu povo a oportunidade de tentar de novo.
Deus
abriu diante de Jeremias a perspectiva da reconciliação.
Conclusão
Irmão,
entregue a sua vida nas mãos do Oleiro celestial.
Deus
fará da sua vida uma obra de arte capaz de deslumbrar o mundo inteiro.
Agora,
compartilhe com outro o que Deus ministrou ao seu coração e orem vocês dois
juntos.
Pr Walter Pacheco
da Silveira