Não é de hoje que o oficio da pregação tem sido alvo de reflexões, aplausos, censuras e análises; quando me refiro a pregação quero dizer o anúncio verbalizado das escrituras sagradas. Porém, seria muito simplório e ingênuo afirmar que a pregação do Evangelho é apenas a comunicação inteligível da mensagem de Cristo Jesus, uma vez que, até um papagaio treinado e adestrado conseguiria realizar tal trabalho.
O oficio da pregação é um trabalho que está mais atrelado ao “ser”, do
que propriamente o “fazer” daquele que o realiza, uma vez que a mensagem do
arauto de Deus é simplesmente uma extensão daquilo que já é ou está em processo
nele mesmo.
Fere e será ferido todo pregador que vive em desarmonia entre aquilo que
anuncia daquilo que vivencia. A pregação é um sentimento de Deus em ebulição no
coração de um mortal que se dispôs a viver e a testificar daquilo que é próprio
de Deus para os homens.
De modo que, pregar não se resume em falar, mas está mais atrelado para
a essência do ser que transborda das boas novas do evangelho que testificam
(também em palavras) da verdade de Deus em Cristo Jesus.
Judas em sua epístola traça o perfil
do ministro ou pregador que não prega, mas apenas encena para seu próprio
prazer ou interesses: “Estes são manchas
em vossas festas de amor, banqueteando-se convosco, e apascentando-se a si
mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma
para outra parte; são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas,
desarraigadas;”(Judas)
No Antigo Testamento encontramos um
mensageiro sem mensagem, seu nome era Aimaaz. No intuito de transmitir uma
mensagem ao rei Davi passou na frente de outro mensageiro, mas quando o rei
Davi perguntou pelo seu filho Absalão sua resposta foi :“…Quando Joabe me mandou a mim, o servo do rei, vi
um grande alvoroço; porem não sei o que era.” (2 Reis 18.29), até
que por fim, chegou o outro mensageiro comunicando a Davi que Absalão estava
morto. Perceba que o mensageiro sem mensagem (Aimaaz) chegou primeiro do que
aquele que de fato tinha a mensagem, e sua pseudo-mensagem era sobre um
alvoroço que não sabia o que era, será que podemos perceber as mesmas
semelhanças nos atuais mensageiros sem mensagens (disputa, gramour, alvoroço,
barulho, mas sem conteúdo e essência)
Observe que, a pregação não está atrelado a aparência ou ao resultado
imediato segundo as percepções humana, mas antes, está intrinsecamente ligada a
essência, conteúdo, e caráter daquilo que habita o pregador. Deste modo,
segue abaixo uma síntese de pregadores que na realidade não pregam, de nuvens
que não chovem, e de árvores que não frutificam:
– Pregador Ego (Aquele que a pregação gira em torno dele)
– Pregador Eco (Aquele que decora e repete mensagens alheias)
– Pregador Show (Aquele busca apenas performances teatrais e fúteis)
– Pregador Super (Aquele que é tão poderoso que se esquece do Evangelho
e de Cristo Jesus)
– Pregador Multi (Aquele que faz tudo no púlpito e acaba se esquecendo
do principal – pregar)
– Pregador Uno ( Aquele que acha que só ele prega)
– Pregador falso (Aquele que anuncia o outro evangelho)
– Pregador oco (Aquele que prega, mas não vive o que prega)
Certamente, neste tempo de confusão e
extrema apostasia é válido a lembrança das palavras de Francisco de
Assis: “Pregue o Evangelho em todo o tempo. Se
necessário, use palavras”, como também é importante a advertência
paulina ao jovem pregador Timóteo, que também serve a todos os pregadores
contemporâneos: “Tem cuidado de ti mesmo e
da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto
a ti mesmo como aos que te ouvem.” (1 Timóteo 4.16)
Samuel Torralbo