2 Reis 7:9
“Então,
disseram uns para os outros: Não fazemos bem; este dia é dia de boas-novas, e
nós nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, seremos tidos por culpados;
agora, pois, vamos e o anunciemos à casa do rei”.
Introdução: O texto que
acabamos de ler com certeza irá nos desafiar a cremos que no meio do caos, no
meio da crise e até mesmo da tragédia, podemos ter esperança; mas podemos
também ser mensageiros de boas novas.
Neste capítulo 7 de 2 Reis, no tempo em
que Eliseu profetizou sobre Israel, houve uma grande fome em Samaria. A
situação era a seguinte:
a- O rei da Síria, Ben-Hadade,
juntou todo o seu exército para cercar Samaria.
b- Ninguém entrava ou saia da
cidade, que se mantinha com suas portas fechadas e fortemente guardadas.
c- Por esta razão, houve uma grande
fome em Samaria, porque ninguém podia sair da cidade para comprar alimentos, ou
colher suas safras e nem os comerciantes podiam entrar pelas portas da cidade
para vender seus produtos aos samaritanos.
d- A coisa ficou feia por lá, a
ponto de se vender uma cabeça de jumento por oitenta peças de prata e até
esterco de pombas era vendido a peso de ouro.
e- Mas o pior amados é que neste
desespero, algumas mães começaram a comer os seus próprios filhos por conta da
fome. (2 Reis 6:28,29)
f- A Bíblia diz em 2 Reis 6:30-33
que o Rei ficou tão revoltado com esta situação que culpou ao profeta Eliseu. A
revolta do rei de Israel era em razão de Eliseu não o ter deixado matar alguns
homens do exército sírio que caíram nas mãos do rei. Agora o exército sírio
cercava Samaria e por isso, a fome assolava os moradores da cidade. (2 Reis
6:21-24)
IMAGINEM ISSO AMADOS! ISRAEL DEMONSTROU
BENEVOLÊNCIA E MISERICÓRDIA ÀQUELES SOLDADOS SÍRIOS, MAS LOGO EM SEGUIDA OS
MESMOS SOLDADOS SOB O COMANDO DE BEM-HADADE SITIOU SAMARIA!
Quando o rei de Israel partiu para
aprisionar Eliseu e lhe tirar a cabeça….
Eliseu profetizou que no dia seguinte,
naquela mesma hora haveria grande abundância em Samaria e se compraria duas
medidas de cevada por um ciclo (que era a moeda da época).
No meio dessa história, surgem então, 4
personagens mais improváveis de se resolver qualquer crise. Digo improváveis,
pois eram leprosos, e os leprosos nesse momento eram pessoas que deviam manter
distância, eles viviam isolados.
Quando eles entravam nas cidades vinham
amarrados a sinos e gritando: “leproso” para que todos tivessem a oportunidade
de manterem-se longe deles. Resumindo, eram excluídos do convívio social.
A Bíblia diz no vs. 3 ( que esses
“heróis improváveis ” estavam “a porta da cidade”)
Através destes 4 leprosos vamos
aprender algumas lições precisas sobre o nosso compromisso de pregar o
evangelho (Boas Novas)
1. O EVANGELHO EXIGE DE NÓS UMA SAÍDA
DE NOSSO COMODISMO.
O texto nos fala que esses homens
estavam com fome, mas ao mesmo tempo, acomodados na porta da cidade.
Amados, nós temos a tendência de nos
acomodarmos a tudo, até as coisas que de princípio nos são repulsivas. Desde um
simples mau cheiro até situações de pecado. O problema é que mais cedo ou mais
tarde, acabamos nos acostumando e acomodando.
Quando Jesus pergunta ao cego se ele
queria ver, ou ao aleijado no tanque de Betesda se queria ser curado, a
princípio nos parecem perguntas sem nenhum sentido, mas a questão é que a
doença deles já perdurava por longos anos e, dentro dos costumes judaicos,
havia se tornado um “ganha pão” para eles, já que os judeus se sentiam na
obrigação de ajudar com esmolas aqueles que estavam sendo “castigados” por Deus
com enfermidades.
Por isso, a pergunta é se eles
realmente tinham interesse em sair daquela posição (na qual já poderiam estar
acomodados) e viver uma vida bem diferente daquela em que estavam vivendo a
anos.
Infelizmente existem pessoas acomodadas
com em seus pecados, aponto de não sentirem mais incômodo com tais práticas.
Mas existem também Cristãos que estão
conformados com uma vida cristã medíocre, sem unção, sem frutos, sem o novo de
Deus a cada dia.
A VERDADE É QUE aqueles 4 homens
chegaram a uma conclusão que eu e você precisamos chegar também.
“ Eles disseram se nós ficarmos aqui,
morreremos (vers. 3b). Essa é uma verdade a ser absorvida! Se continuarmos
acomodados, acostumados com coisas e situações que desagradam a Deus, vamos
morrer!
Se acostumarmos com a nossa vida Cristã
medíocre e passarmos mais um ano infrutíferos e sem ganhar ao menos uma alma
para Jesus será o fim…
Quantos casamentos, chamados,
ministérios, sonhos, projetos mortos mediante nossa acomodação…
O Evangelho é para pessoas que decidem
sair de suas zonas de conforto, renunciar a estilos de vida que ainda que sacie
a carne, cotrariam a vontade de Deus.
As Boas Novas dizem para nós que a cada
dia temos que negar a nós mesmos e tomarmos nossa cruz! Isso nada tem a ver com
acomodação.
2. O EVANGELHO NOS TRAZ RISCOS.
“…Para que
estaremos nós aqui sentados até morrermos? Se dissermos: entremos na cidade, há
fome na cidade, e morreremos lá; se ficarmos sentados aqui, também morreremos.
Vamos, pois, agora, e demos conosco no arraial dos siros; se nos deixarem
viver, viveremos; se nos matarem, tão-somente morreremos.” (2 Reis 7:
3b,4)
Outra conclusão que chegaram nossos
quatro heróis leprosos é que indo ao encontro da comida poderiam morrer. Eles
eram leprosos, mas não doidos… Consideravam os riscos.
Embora Evangelho signifique boas
notícias, dentro delas, das boas notícias não há um slogan “pare de sofrer” ou
ainda “garantimos sombra e água fresca”. Veja a fala de Jesus: “ No mundo
tereis aflições, mas…”
Sofremos o risco de sermos tachados
como quadrados, alienados, e outras coisas quando defendemos valores bíblicos
que o mundo diz serem ultrapassados.
Quantas histórias conhecemos de pessoas
que foram colocadas para fora de casa ao anunciarem sua conversão. Ou ai
nda
pessoas mandadas embora do serviço por não aceitarem entrarem em “esquemas”
sórdidos ou mesmo sustentarem mentiras de seus superiores.
O Evangelho nos expõe sim a riscos,
seja de ser visto como um alienado, atrasado e até mesmo nos impedir de sermos
aceitos em alguns meios sociais…
3. O EVANGELHO É PODER!
7.5
Levantaram-se ao anoitecer para se dirigirem ao arraial dos siros; e, tendo
chegado à entrada do arraial, eis que não havia lá ninguém.
7.6
Porque o Senhor fizera ouvir no arraial dos siros ruído de carros e de cavalos
e o ruído de um grande exército; de maneira que disseram uns aos outros: Eis
que o rei de Israel alugou contra nós os reis dos heteus e os reis dos
egípcios, para virem contra nós.
7.7
Pelo que se levantaram, e, fugindo ao anoitecer, deixaram as suas tendas, os
seus cavalos, e os seus jumentos, e o arraial como estava; e fugiram para
salvar a sua vida.
A cena descrita nos versos 6 e 7 é no
mínimo hilária.
O poderoso exército sírio ouve sons
como de um grande exército com carros e cavalos, temem e fogem
desesperadamente. No verso 8, outro “poderoso exército” composto por quatro
leprosos, quem sabe até sem algumas partes do corpo devido a lepra, invade o
arraial sírio!
Paulo disse algo tremendo: “Não me envergonho do evangelho, porque é o
poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois
do grego.” Rm. 1:16
O Evangelho é o improvável, o fora do
comum, o sobrenatural, o inesperado, o inexplicável chegando à minha e na sua
vida! É
alguém destruído pelas drogas ter uma vida transformada, é alguém sem razão
nenhuma de existir se tornar a pessoa mais feliz, é o casamento destruído ser
restaurado, e família deixar de viver um inferno e fazer do lar um pedaço do
céu, Evangelho é poder!
4. EVANGELHO É PARA SER COMPARTILHADO.
7.8
“Chegando, pois, aqueles leprosos à entrada do arraial, entraram numa
tenda, e comeram, e beberam, e tomaram dali prata, e ouro, e vestes, e se
foram, e os esconderam; voltaram, e entraram em outra tenda, e dali também
tomaram alguma coisa, e a esconderam”.
Depois da entrada triunfal de nossos
heróis, algo triste acontece… Por duas vezes o texto bíblico diz que eles
comeram e escondem o que encontraram naquele local. Enquanto o povo padecia de
fome, eles enchiam a barriga e escondiam o resto ignorando o desespero dos
demais.
É inadmissível o que eles fizeram.
Imagine que na sua casa você, seus filhos, seu cônjuge estejam passando fome,
enquanto seu vizinho joga fora os alimentos de tanto que estragam!
Pois é isso que fazemos. Nesse momento
vizinhos nossos estão famintos. Talvez não de pão, mas de esperança, de paz, de
consolo, de força… E nós, domingo após domingo, comemos, comemos e ao sair do
culto, escondemos tudo.
Chegou então um momento em que eles
caíram em si e disseram:
7.9 “Então, disseram uns para os outros: Não fazemos bem; este dia é
dia de boas-novas, e nós nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, seremos
tidos por culpados; agora, pois, vamos e o anunciemos à casa do rei”.
Os leprosos voltaram às portas de Samaria
e gritaram para os porteiros o que eles viram no arraial sírio e os porteiros
se apressaram em anunciar ao rei.
O Rei naquele momento ficou desconfiado
de mais uma emboscada dos Sírios.
Um dos servos do rei sugeriu que ele
mandasse apenas alguns homens para averiguar a real situação no arraial sírio e
então os homens voltariam para contar o que estava acontecendo.
Dito e feito. Os mensageiros do rei
foram até o Rio Jordão e por todo o caminho encontraram roupas, armas,
pertences dos sírios. Na pressa de fugir, os soldados iam deixando pelo caminho
qualquer coisa que estivessem pesando, para facilitar a fuga.
Logo os mensageiros voltaram para dar
as boas notícias ao rei de Israel, Deus, sozinho, havia desbaratado o exército
sírio. Na mesma noite o povo saiu e saqueou o arraial sírio e tal como disse o
profeta Eliseu, no dia seguinte se comprava duas medidas de cevada por um
siclo.
CONCLUSÃO: Não há coisa
que não possa ser feita por nosso Deus, não há ninguém que Ele não possa usar
para cumprir Seus planos na vida do Seu povo. Ainda que você ache que seu
problema é insolúvel, que nem que Deus abrisse janelas no céu poderia
resolvê-lo, saiba que não há impossível para Deus e Ele vai usar coisas comuns
e incomuns, coerentes e absolutamente loucas, mas vai cumprir cada palavra
prometida a você. Deus não se engana e não engana ninguém, o que Ele promete,
cumpre, haja o que houver!
Pr. Gilberto Oliveira Rehder