Eis a história como nos conta a Bíblia: o gigante Golias ameaçava e humilhava o povo de Israel. Ele era um guerreiro profissional, com vasta experiência em combates. Ele era o orgulho da raça filistéia, e não seria exagero dizer que muitos jovens de sua terra
queriam crescer e ser como ele: um vencedor.
Ele estava certo da vitória contra os israelitas, por isso propôs que
houvesse um duelo, uma luta entre dois guerreiros apenas, cada um
representando o seu povo. O povo do guerreiro derrotado se tornaria
escravo do povo do guerreiro vencedor. A terra devia
tremer quando aquele brutamontes pisava com vontade. Durante 40 dias ele
humilhou o povo de Israel. Ninguém se atrevia a descer na arena e
enfrentar o monstro, que além da força física, estava tão armado que mais
parecia um arsenal ambulante.
Até que apareceu Davi no cenário. O jovem pastor de ovelhas não era um
guerreiro.
Mas quando ouviu as provocações do gigante, ficou chocado que ninguém se
oferecesse para o enfrentar. É assim que Davi salta para as páginas da
fama na Bíblia. Indignado, ele vai ao riacho, apanha cinco pedras e vai
enfrentar a fera. Era como se cada pedra
representasse uma coisa boa, como coragem, convicção, competência,
confiança e conquista.
1. A pedra da CORAGEM
Davi demonstrou não estar com medo do gigante. Chegou-se para o rei Saul
e lhe disse:
“Ninguém deve ficar com o coração abatido por causa desse filisteu; teu
servo irá e lutará com ele” (v. 32).
Às vezes, a gente fica impressionado com o tamanho dos nossos golias, os
problemas, e fica se encolhendo de medo. Davi parecia não estar com medo.
Será que ele era tão ingênuo assim? Ou será que foi porque ele tinha uma
outra visão do problema? Lendo
ou ouvindo o texto, fica a impressão de que os soldados de Israel se
comparavam com o gigante e se intimidavam. Davi, não. Ele comparava o
poder do gigante com o poder de Deus, e foi daí que extraiu coragem.
2. A pedra da CONVICÇÃO
Davi levou consigo a pedra da convicção. Para convencer o rei de que
ele, Davi, tinha alguma experiência com as lutas da vida, ele disse: “O
Senhor que me livrou das garras do leão e das garras do urso me livrará
das mãos desse filisteu” (v. 37). Davi não pressupôs que ele mesmo tivesse
alguma força, mas atribuiu ao Senhor suas vitórias sobre um leão e sobre
um urso. E estava convicto de que o mesmo Senhor lhe daria também esta
outra vitória. Como diria Stanley Jones, ele não apenas
possuía convicções; mas ele, sim, é que estava possuído por elas. Sem
convicção, uma pessoa se encolhe, se esconde, empalidece, enfraquece, esmorece,
estremece e esquece o que deveria fazer; mas se ela tem convicção, ela
reúne forças, vai à luta e vence o inimigo.
3. A pedra da COMPETÊNCIA
O rei Saul quis ajudar Davi a se preparar para a luta e colocou nele
armas reluzentes, bonitas, caras, provavelmente até importadas. Mas a cena
ficou ridícula, e Davi devolveu as armas de Saul, dizendo: “Não consigo
andar com isto, pois não estou acostumado” (v. 39). Esta palavra é
importante: você só vai conseguir utilizar as armas que Deus lhe dá, se
você estiver acostumado com elas. A Bíblia é espada de dois gumes,
poderosa como poucas armas, mas infelizmente há irmãos que não
estão acostumados a manejá-la. E assim, ficam expostos ao perigo.
Recomenda-se pois que todo guerreiro de Cristo tenha intimidade com as armas
espirituais: a Palavra de Deus, a oração, a adoração, a obediência…
Davi se preparou conveniente e competentemente: foi ao riacho e escolheu
cinco pedras lisas e as colocou em sua bolsa, levando também sua
atiradeira (v. 40).
4. A pedra da CONFIANÇA
Davi disse ao filisteu: “Você vem contra mim com espada, com lança e com
dardos, mas eu vou contra você em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos
exércitos de Israel, a quem você desafiou” (v. 45).
O gigante zombou de Davi e suas armas. Mas quando vamos em nome de Deus,
somos “mais que vencedores”. O gigante achava que entendia tudo de lutas e
combates, mas Davi foi ao encontro dele “em nome do Senhor dos Exércitos”.
Em Provérbios 21.31
lemos: “…o cavalo prepara-se para o dia da batalha, mas do Senhor vem a
vitória”.
Ouviu, irmão? Então… de onde vem a vitória?
Não vem de nossa sabedoria, Não vem de nossa esperteza no lidar com
os Golias da vida,
Não vem da sofisticação de nossos recursos.
Não vem da potência de nossas armas.
Vem do Senhor, o Deus de Davi.
A Bíblia diz que o nosso Deus é Senhor de tudo, inclusive “Senhor dos
exércitos”.
5. A pedra da CONQUISTA
Davi correu ao encontro do gigante, e atirou nele uma pedra. Atirou e
acertou. Foi uma pedra só; era a pedra da conquista. O gigante caiu feio,
fazendo muito barulho na queda e foi derrotado (v. 49). Com toda a sua
experiência nos campos de batalha, com todas
as armas que ele trazia consigo, ainda assim o gigante perdeu. Por que
perdeu? O gigante perdeu porque zombou de Deus, e de Deus ninguém deve
zombar. Ele é um Deus que nos criou, nos protege, nos sustenta, nos ama,
nos abençoa, mas também quer ser levado a sério. Ele não quer que o nome
dEle seja usado em vão. Ele quer que sua Palavra seja observada. Ele não é
brincadeirinha de gente desocupada. A Bíblia deixa claro isso quando diz:
“Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (He 10.31).
Quer ver só?
1. Os irmãos de José zombaram de Deus, venderam o seu irmão como
escravo, como se ele fosse um animal, e depois tiveram que se desculpar
com ele e reconhecer que ele era instrumento de Deus para a sobrevivência
deles.
2. Faraó zombou de Deus, caiu nas mãos do Deus vivo, afundou e se afogou
no Mar Vermelho com todos os seus “carros e cavaleiros”!
3. Os cananeus zombaram de Deus, caíram nas mãos do Deus vivo e sumiram
da história.
4. O ambicioso Absalão zombou de Deus, do pai e do país, caiu nas mãos
do Deus vivo e morreu jovem, sem trono e sem nome.
5. Jezabel zombou de Deus, morreu e virou ração para cachorro.
6. O orgulhosíssimo Nabucodonozor zombou de Deus, caiu nas mãos do Deus
vivo e foi comer grama com e como os animais!
7. Os conspiradores contra Daniel zombaram de Deus, e foram devorados
pelos leões da Babilônia.
8. O político inescrupuloso na corte persa, Hamã, planejou um Holocausto
contra o povo de Deus, e foi executado na própria forca que mandou
preparar para Mardoqueu.
Deus é amor. Se você o temer e servir, ele colocará a vitória nas suas
mãos, como fez com o jovem Davi. Mas se você fizer como o povo de Israel
fez ao tempo de Jeremias, Ele revelará o outro lado de sua pessoa, que
você não vai ficar feliz em conhecer.
Davi venceu o gigante zombador. Venceu porque Deus lhe deu a vitória!
Conclusão
É imensa a tentação de pensar que a vitória é produto do próprio braço
do homem.
Como na história do pica-pau, que li faz pouco e com a qual concluo:
Era uma vez um pica-pau que se pôs a dar bicadas no tronco de uma
árvore. Concentrou toda a sua força no bico e começou a trabalhar.
Ao mesmo tempo em que fazia isso, uma forte tempestade se aproximava.
Chuva, trovões, relâmpagos.
Um raio caiu e derrubou a árvore.
Vendo aquilo, o pica-pau primeiro recuou assustado.
Depois, se empinou e foi, fanfarrão, dizer aos amigos:
— Vocês viram como eu sou forte?
Davi não diria isso; na verdade, o que ele disse foi: “…eu sou pobre e
necessitado; contudo o Senhor cuida de mim. Tu és o meu auxílio e o meu
libertador; não te detenhas, ó meu Deus” (Sl 40.17).
Autor: João Soares da Fonseca