Quando nós lemos as Escrituras Sagradas, em particular o Novo Testamento, nós somos logo esclarecidos de que a obra missionária é uma acção conjunta da Santíssima Trindade.
Em Genesis 3:15 e João
3:16 nós vemos que o Pai é o Grande Arquitecto da acção missionária, foi ele
quem deu o primeiro passo, se assim podemos dizer, na formação da missão. O
Filho é o “Elemento Fundamental” da acção missionária, ele é a missão em si
mesmo, o grande propósito pelo qual ela existe. O Apostóstolo Paulo ao falar do
Filho ele disse: “Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas…” (Rm
11:36). E o Apóstolo João disse: “…sem ele nada do que foi feito se fez.” (Jo
1:3). Já o Espírito Santo é o Grande Implementador da acção missionária como
podemos ver em Actos 1:8 e também em João 14. Se voltarmos nossos olhos para
Lucas 9:1 vamos ver que o Jesus quando enviou os doze apóstolos pela primeira
vez ele lhes deu δύναμις (dunamis) – poder. Este mesmo “dunamis” (poder) é o
que é prometido a toda Igreja em Actos 1:8. Portanto, sem o Espírito Santo,
dificilmente a acção missionária terá êxito.
É importante lembrar também que o envolvimento da
Santíssima Trindade na acção missionária não deve ser entendida como uma acção
passada, como se a obra do Pai e do Filho já estivesse concluída e só o
Espírito Santo estivesse em acção neste presente momento. Isso nos induziria a
cair em alguns extremos e a pensar “panteísticamente”, o que não é caso. Só há
um Deus, e este Deus continua plenamente envolvido na acção missionária. O Pai
continua a sustentar e validar a missão, o Filho continua a ser o Elemento
Fundamental da missão e o Espírito Santo continua como o Grande Implementador
da obra missionária e assim será até que Mateus 24:14 se cumpra:
“E este evangelho do reino será pregado no mundo
inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.”
A MISSÃO E O ESPÍRITO SANTO
No entanto hoje eu quero reflectir um pouco com os
irmãos sobre a acção do Espírito Santo na obra missionária. Em Zacarias 4:6 nós
podemos ler uma advertência do Senhor muito interessante: “Não por força nem
por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos exércitos.” O texto nos
deixa perceber que a obra do Senhor em atrair para si homens e mulheres não
será uma obra realizada por uma força externa, ou por uma persuasão moral, ou
por eloquência, mas pelo poder de Deus, pela acção do Espírito Santo na vida
daqueles ouvem a Palavra de Deus.
O Apóstolo Paulo não desassociava o poder de Deus
da Palavra de Deus. Em Romanos 1:16 o Apóstolo diz que o Evangelho é “dunamis”
(poder) de Deus para a salvação daquele que crê. Quando a Palavra de Deus é
aberta, lida e pregada o “dunamis” de Deus entra em acção para salvar aquele
que está perdido.
Quando Pedro e João são presos e levados perante o
sinédrio, a Igreja se empenhou em oração, percebo pelas orações deles, que
também não desassociavam o poder de Deus da Palavra de Deus. Vejamos o que eles
oraram: “Agora pois, ó Senhor, olha para as suas ameaças, e concede aos teus
servos que falam com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes a mão
para curar e para que se façam sinais e prodígios pelo nome de teu santo Servo
Jesus. E, tendo eles orado, tremeu o lugar em que estavam reunidos; e todos
foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus.”
(At 4:29-31).
Qualquer manifestação do Espírito Santo é
acompanhada da Palavra de Deus e nela está embasada. Não consigo conceber
manifestações ditas do Espírito Santo, mas que não encontram base nas
Escrituras Sagradas.
Na Igreja Evangélica Baptista de Cascais há
liberdade de espírito, nós cremos e aceitamos todos os dons e manifestações do
Espírito Santo, acreditamos que assim como Deus operou no passado baptizando e
enchendo os crentes com o Espírito Santo, ele continua a fazer nos nossos dias,
mas nos recusamos a aceitar qualquer manifestação que não tenha base nas
Escrituras Sagradas.
Essa era a postura da Igreja Neotestamentária, dar
ênfase ao poder do Espírito Santo na exposição das Sagradas Escrituras. Em
Actos 2 temos o registo do baptismo da Igreja com o Espírito Santo, houve
manifestação de dons e maravilhas, o povo atraído por estas coisas ficaram
maravilhados, mas somente quando Pedro se levantou e pregou a Palavra de Deus
no poder do Espírito Santo é que houve salvação naquele lugar, três mil almas
foram salvas.
Nem dons, nem manifestações, nem maravilhas, nem
qualquer outra coisa, senão a Palavra de Deus pregada é o maior sinal de que a
missão está a ser implementada pelo poder do Espírito Santo. Oh irmãos, quando
esta Palavra é pregada o Espírito de Deus começa a operar maravilhas. Um é
cheio de poder, o outro recebe um dom, um é liberto de um medo ou depressão,
outro é consolado, um é curado e outro encontra a salvação, esse é o “dinamus”
de Deus.
Lembro-me que durante um evento na Índia, numa
aldeia muçulmana, onde pregávamos a Palavra de Deus em uma tenda ali armada,
havia centenas de pessoas, muçulmanos e hinduístas, não havia barulho algum no
ar, a não ser o pregador que anunciava o Evangelho de Cristo, mas derrepente
uma mulher se levanta e começa a gritar em sua língua, sem entender o que se
passava, paramos tudo e mandamos trazê-la a frente para ver o que se passava,
ela então disse para espanto de todos: “Entrei nesta tenta com meu braço
atrofiado, e enquanto ouvia este homem falar me dei conta que meu braço foi
curado e já não sou mais aleijada!” – Glória a Deus, foi uma noite de salvação,
onde vários tiveram um encontro com Cristo.
Quando colocamos os sinais e manifestações afrente
da Palavra, corremos o risco de nos perder no caminho.
CONCLUSÃO
Aos missionários Paulo e Tatiana queremos dizer que
nossa igreja espera que o envolvimento missionário de vocês em Angola seja
acima de tudo na pregação da Palavra de Deus. Qualquer outra acção missionária
deve ser resultante desta primeira, se deixarem a Palavra de lado para fazerem
outras coisas vão perceber que estão a perder tempo. A Palavra vai a nossa
frente, que possamos dizer como disse o salmista: “Lâmpada para os meus pés é a
tua palavra, e luz para o meu caminho.” (Sl 119:105).
Nos momentos de saudades, de dificuldades, de tristezas,
busquem um lugar secreto dobrem os vossos joelhos em oração, abram a Palavra de
Deus e receberão dele o conforto necessário.
Quando faltar estratégia, planos, quando as coisas
parecerem sem rumo, olhem para a Palavra de Deus e ela lhes mostrará como agir.
Sejam completamente rendidos a Santíssima Trindade,
e então irão experimentar a provisão do Pai, a presença do Filho e o poder do
Espírito Santo.
Nós despedimos vocês com muitas expectativas sobre
aquilo que Deus poderá fazer nas vossas vidas e por meio de vós em Angola.
Estaremos aqui a velar por vós!